A Esplanada dos Ministérios já está enfeitada de verde e amarelo, as arquibancadas estão montadas, e quase um milhão de reais foram gastos para o desfile e para a oitava Semana da Pátria sob Lula na Presidência da República. Mas desta vez não há Sarkozy, nem convidado especial, nem super-atleta para atrair o público para o último Sete de Setembro do presidente. A principal atração será o próprio Lula, a três meses de descer a rampa do Planalto como recordista em popularidade.

A estrutura de arquibancadas cobertas comporta até 20 mil pessoas sentadas e a expectativa de público é de 30 mil. Mas no melancólico palanque de despedida de Lula estarão poucos integrantes do grupo original de ministros. Uma equipe de secretários executivos investidos do papel de titulares das pastas,  além dos presidentes dos três poderes, se juntarão a Lula e Dona Marisa para o sempre enfadonho espetáculo na Esplanada, apesar do esforço patriótico geral.

A repetição aborrece o próprio Lula, que planejou promover um Sete de Setembro itinerante, com a participação presidencial em outras capitais. Mas a idéia acabou descartada este ano, para não provocar questionamentos na Justiça Eleitoral. Até mesmo o tradicional pronunciamento do presidente em cadeia de rádio e televisão foi cancelado, pelo mesmo motivo.

“Viva o Brasil que existe em cada um de nós” – é o tema da festa desta vez, uma esforçada tentativa de exortar o nacionalismo e o patriotismo no ano em que saímos derrotados na Copa do Mundo. Ainda é diante de um time de futebol e de uma bola que o brasileiro mais exercita tais sentimentos. Não há, no entanto,  sinal de pessimismo no horizonte. Ao contrário, o próprio Lula investe na auto-estima do brasileiro – um de seus principais capitais eleitorais.

Ao descer do palanque do Sete de Setembro este ano, o presidente talvez sinta o alívio de ter cumprido pela última vez a repetitiva tarefa, mas certamente sentirá também o sabor da despedida do poder presidencial. Lula desembarcará do cargo, não da imagem pública que firmou. E é nela que reside o poder que continuará exercendo, sem caneta, sem cadeira e sem a instituição.

(Colaborou: CLÁUDIA GONÇALVES, TV Record)

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