A aparição de Lula no programa de televisão da candidata petista Dilma Rousseff no Sete de Setembro trouxe uma importante mensagem política aos adversários, para além das próprias palavras do presidente. Que fiquem avisados: se o chamarem para a briga, Lula entrará, e com armas poderosas.

A decisão de comprar a briga no lugar de Dilma foi do próprio Lula, que espera ter dado um tiro certeiro na estratégia tucana. Ao colocar-se na posição de ofendido pelos ataques dirigidos à candidata, Lula entra com o peso de sua figura pessoal e de sua popularidade para responder aos adversários. Foi um tiro de canhão no próprio Serra, que não ousou revidar atacando Lula de volta. Mirou apenas em Dilma e no PT.

Chama a atenção, na fala do presidente, a artificialidade da acusação de que os ataques à Dilma são “um crime contra a mulher brasileira”. Não há qualquer associação possível entre violação de sigilo fiscal e preconceito de gênero. A referência um tanto forçada é mais um recado de Lula: o de quem também sabe bater abaixo da cintura e induzir a opinião pública a julgamentos altamente desfavoráveis aos adversários.

O presidente mostra suas armas em defesa de sua candidata. Os adversários morderam a isca e alimentarão o debate, que dificilmente reverterá os resultados das pesquisas. As sondagens já apontam para uma consolidação de intenções de voto, sem grandes oscilações, com Dilma e Serra praticamente estacionados onde estão.

Pena que Lula não veio a público mostrar a mesma indignação e fazer a mesma defesa apaixonada das centenas de cidadãos cujo sigilo fiscal foi invadido, segundo a própria Receita. O presidente passou longe, por exemplo, de demitir o Secretário da Receita. Falou mais alto a conveniência política.

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