O candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, cujo recurso fez passar a noite em claro os ministros do Supremo, amanheceu com a solução política engatilhada. Uma vez que o impasse no STF o impede de apostar tudo num segundo turno para reverter a desvantagem para o adversário petista, Agnelo Queiroz, Roriz fez de novo: renunciou à candidatura para evitar um fiasco maior, o da derrota nas urnas.

Governador do Distrito Federal por quatro vezes, Roriz viu seu curral eleitoral minguar a cada nova decisão contrária da Justiça, acentuando uma trajetória vertiginosamente decadente que iniciou com a renúncia ao mandato de senador, em 2007. Esta semana, teve de amargar a humilhação de ver um ministro do Supremo ler em voz alta, com transmissão ao vivo para todo o Brasil, seu diálogo com o presidente do Banco Regional de Brasília, em que ambos discutiam onde guardar o dinheiro resultante de um milionário golpe. O volume da bolada era tal, que ela se tornou intransportável e inadministrável.

Sem saída que não seja a previsível derrota nas urnas, Roriz se retira da disputa à argentina: instala no alto do carro de som eleitoral sua própria mulher, Weslian Roriz. Será uma espécie de “candidata-laranja”, já  que nem mesmo a foto de Roriz será substituída nas urnas.

A tacada, no entanto, acentua a declinante carreira política de Roriz, que terá de inventar argumentos para explicar ao eleitorado a desistência e a troca inusitada de candidato. Aos 74 anos, o ex-todo poderoso do Distrito Federal, começa a encerrar de maneira melancólica uma trajetória política que deixou marcas indeléveis na capital federal, principalmente no que diz respeito à formação do cinturão de violência e pobreza que hoje cerca Brasília.