O improvável aconteceu – como é quase regra geral numa eleição. Marina Silva cresce na reta final do primeiro turno e lança uma perigosa nuvem de dúvida sobre a vitória de Dilma Rousseff no domingo.
A “pororoca verde”, embora tardia, é forte o suficiente para mobilizar um arsenal poderoso de respostas petistas, que incluiu a entrada em campo do próprio Lula e um apelo à mobilização da militância.
O crescimento de Marina, no entanto, dificilmente será tão vertiginoso a ponto de vencer a distância que a separa de Serra e catapultá-la ao segundo turno. Embora favoreça Serra, acontece num momento delicado para ambas candidaturas, a petista e a tucana: a hora da consolidação do voto.
Ao aproximar-se o primeiro turno, milhões de eleitores – mais de três milhões e meio, segundo estimativas - simplesmente mudaram de ideia. Submetidos ao bombardeio de troca de acusações entre as duas candidaturas majoritárias, estes brasileiros buscaram a terceira via representada por uma candidata até aqui imune de suspeitas de corrupção e sem qualquer relação com os dois últimos escândalos que afetaram o processo eleitoral.
Marina e sua causa verde tornaram-se subitamente palatáveis para uma faixa crescente de eleitores que vai daqueles que se preocupam com as questões ambientais aos que rejeitam o bate-boca eleitoral, passando pelos que simplesmente pretendem dar uma lição nos brigões. Marina acaba por ser a confirmação da velha máxima de que, em campanha, quem bate perde.
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