A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, surpreendeu na noite deste domingo (10), em debate promovido pela TV Bandeirantes, ao modificar o padrão de comportamento que vinha adotando e exibir um desempenho muito mais agressivo. Já na primeira pergunta a Serra, Dilma cobrou do adversário acusações que classificou como caluniosas. O tucano ficou visivelmente surpreso – o que chegou a admitir mais adiante – e embora tenha reagido, não encontrou o tom do contra-ataque ao longo do programa.

A cada nova pergunta ou réplica, Dilma tanto rebatia as investidas de Serra quanto introduzia novas frentes de ataque, ou repisava temas desfavoráveis ao tucano, como as privatizações. A estratégia manteve Serra na defensiva durante a maior parte do confronto. O tucano aparentemente relutou em corresponder à altura os ataques.

Serra tentou colar em Dilma o carimbo de “duas caras”, abordou o caso Erenice por mais de uma vez e tentou explorar a ambiguidade de Dilma no que diz respeito à polêmica sobre o aborto. A petista, no entanto, demonstrou ter se preparado para estas já previsíveis provocações e chegou a introduzir uma novidade no confronto: fez acusação direta a um assessor de Serra, Paulo Vieira de Souza, que, segundo Dilma, “fugiu com R$ 4 milhões”.

Com a provocação, a candidata arriscou ouvir do adversário menções ao escândalo do mensalão e ao rumoroso episódio de um assessor petista flagrado com dinheiro na cueca. O tucano, ao contrário da expectativa, não respondeu à acusação, após o intervalo comercial, quando tinha a prerrogativa de perguntar.

O desempenho de Serra vai na contra-mão da orientação de parte dos seus apoiadores, entre eles, o ex-presidente Itamar Franco, que fez um apelo para que o candidato fosse para o confronto com a adversária. Serra pareceu temer o risco e preferiu ressaltar em mais de uma ocasião do debate o comportamento agressivo de Dilma.

Para o comando da campanha petista e para o candidato a vice, Michel Temer, o desempenho de Dilma servirá para “jogar nas ruas a militância”. O efeito do confronto, cuja audiência foi baixa – pico de seis pontos –, foi medido simultaneamente pelas campanhas por meio de pesquisas qualitativas. Os dados já estão sendo analisados pelos comitês dos candidatos.

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