Agora é uma questão de horas. Ainda antes da meia-noite deste domingo os brasileiros saberão quem governará o país pelos próximos quatro anos, substituindo dentro de dois meses o mais popular presidente do Brasil.

Termina hoje a sexta eleição direta para presidente, desde o fim do regime militar. PT e PSDB, as duas forças dominantes, vão para o seu quinto confronto, completando vinte anos de antagonismo nas urnas, com resultado virtuoso para a democracia. O Brasil se prepara para a quarta sucessão presidencial sem sobressaltos ou interrupções de mandato.

Uma vez perguntei ao então embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Diaz, que previa para breve a entrada de seu país no clube das “nações desenvolvidas" do mundo, qual seria a receita para chegar lá. “É a combinação de estabilidade democrática com estabilidade econômica por um longo período de tempo. Nada é melhor para um povo e para uma nação”, resumiu o embaixador.

O Brasil desfruta há tão pouco tempo destas duas virtudes e, no entanto, já são impressionantes os resultados na vida da população e na inserção do país na arena internacional.

Neste 31 de outubro, o Brasil tem razões de sobra para comemorar. Seja qual for o resultado, o eleitor estará escolhendo entre dois brasileiros respeitáveis, com biografias honrosamente relacionadas à reconquista democrática, ampla folha de serviços prestados ao país, convicções sólidas sobre como comandar o Executivo, e uma clara noção de responsabilidade pública.

É preciso ter clareza do avanço que isso significa, para além das paixões do processo eleitoral, das mágoas, do triunfalismo, da competição estéril. O amadurecimento do processo político brasileiro, se ainda não chegou ao ponto de nos livrar de incontáveis mazelas, já permite que no quadro da disputa presidencial, desta vez, não tenha havido espaço para extremistas de direita ou de esquerda, para populistas e messiânicos, para aventureiros e oportunistas de ocasião.

Esta eleição opõe dois projetos que se autodefinem como de esquerda, com forte discurso nacionalista. São propostas que, a despeito das preferências que suscitam no eleitorado, não representam, no limite, risco seja para a estabilidade democrática, seja para a econômica. Este quadro, somado a instituições sólidas, em pleno funcionamento, garantidoras da manutenção das regras democráticas, permite pensar num país que venha a se tornar mais justo, onde a convivência entre seus cidadãos se dê de forma crescentemente civilizada, na busca do bem-estar coletivo.

Os céticos, os críticos, os desesperançosos podem desacreditar de tanto otimismo. É direito deles. Mas é com este espírito que busco hoje meu título de eleitor na gaveta e sigo para a escola mais próxima para votar – mais uma entre 135 milhões, que valem hoje exatamente o mesmo diante da urna.