O deputado e vice-presidente eleito, Michel Temer, embarca hoje para Buenos Aires, na Argentina, em missão oficial para representar o Congresso brasileiro e leva consigo os dois candidatos declarados à sua sucessão na presidência da Câmara: Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) e Cândido Vaccarezza (PT/SP).
Longe de pressões partidárias, Temer espera fechar o acordo para promover uma sucessão sem turbulências para a presidente eleita, Dilma Rousseff. O vice eleito deve aproveitar a proximidade provocada pela viagem a três para ter uma conversa definitiva com Alves e Vaccarezza sobre quem assumirá no primeiro biênio o comando da Câmara, cedendo a vaga ao outro, para completar os dois anos seguintes.
Temer tem argumentos fortes para afastar o risco de uma luta fratricida entre Alves e Vaccarezza. Vai alegar que PT e PMDB iniciam no Executivo sua mais importante parceria política e ela não pode ser comprometida com a disputa, e que ambos devem se comportar como aliados em favor da governabilidade, sem dar margem a candidatos "aventureiros". Ainda persiste entre os governistas o trauma do episódio da eleição de Severino Cavalcanti, depois que petistas se desentenderam na disputa pela presidência da Câmara.
Acordo similar ao proposto agora permitiu que o petista Arlindo Chinaglia assumisse em 2007 o comando da Câmara por dois anos, repassando-o a Temer, em seguida, que obteve assim, base sólida de votos das duas maiores bancadas para vencer a eleição. Desta vez, Vaccarezza teria, em tese, a preferência, mantida a alternância entre os dois maiores partidos no cargo, mas há quem avalie que Alves tem mais poder de aglutinação para garantir o sucesso de projetos e reformas a serem enviados ao Congresso pelo novo governo nesta primeira etapa.
Da capital do tango, Temer deve voltar com os passos da sucessão bem ensaiados, para não haver tropeço sobre o tapete verde da Câmara.











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