O PMDB dá sinais de que não vai disputar o comando da Câmara, e se coloca na posição de aliado do PT, mas os petistas agora não se entendem sobre quem será o candidato da legenda a suceder Michel Temer. A candidatura do líder do governo Cândido Vaccarezza (PT/SP), tida como natural, é contestada pelo atual primeiro vice, Marco Maia (PT/RS). Desta forma, mesmo que o peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) venha a abrir mão de apresentar sua candidatura, a pendenga não estará resolvida, ao contrário, entrará para o perigoso campo da imprevisibilidade.

Acontece que a troca de comando na Câmara nem sempre termina conforme o script dos políticos que acham que controlam votos na Casa. Em 2005, a oposição se uniu ao chamado “baixo clero” –  o grupo de deputados de pouca expressão política-, para derrotar o governo e eleger o pernambucano Severino Cavalcanti. O deputado mergulhou a Câmara numa crise sem precedentes depois de ser flagrado num esquema de cobrança de mesada para permitir o funcionamento do restaurante da Casa. Severino acabou renunciando ao mandato.

À  época, a vitória do líder do “baixo clero” só se tornou possível porque o PT, como agora, concorreu com dois candidatos: os governistas tentaram impor Eduardo Greenhalgh (SP), que tinha alto índice de rejeição entre seus pares, e Virgílio Guimarães  (MG), que também se lançou à disputa, após enfrentar o comando do partido. A situação provocou a divisão dos votos e levou ao resultado, então, imprevisível: a vitória de Severino Cavalcanti.

A eleição para a presidência da Câmara ocorrerá em fevereiro, mas as cartas estão sendo jogadas agora, simultaneamente à montagem do ministério de Dilma Rousseff, para garantir distribuição equilibrada do poder na Esplanada. Emissários do Executivo já atuam para evitar o confronto interno no PT por causa do cargo.

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