A reviravolta nos rumos da presidência da Câmara promovida pela bancada de deputados do PT, com o patrocínio de Arlindo Chinaglia, tem o efeito de primeira derrota política de Dilma Rousseff, antes mesmo da diplomação da presidente eleita, que acontece dentro de 48 horas. E derrota imposta por seus próprios correligionários, que, tudo indica, parecem preferir afirmar sua autonomia e eleger Marco Maia a cingir o escolhido por Lula e Dilma, Cândido Vaccarezza.
O sinal não é positivo, nem para Dilma, nem para a própria bancada petista. Ao carrear para Maia seus parcos 11 votos, Chinaglia, o ex-presidente da Câmara, cuja gestão não teria sido bem avaliada pelo Planalto, acabou por inviabilizar a candidatura de Vaccarezza, lançada como favorita, mas minada por disputas internas.
O quadro de insatisfações na bancada foi agravado com o desenho da equipe ministerial. A disputa por cargos se estende pela sétima semana, e embora o PT tenha sido o partido mais contemplado com pastas, ainda assim, as indefinições em torno do comando de cargos emblemáticos para o partido mantém acesa a disputa e a pressão sobre a ala majoritária que controla a legenda. A punição acabou recaindo sobre Vaccarezza, representante direto de Dilma.
Confirmada a indicação e a eleição de Marco Maia em fevereiro, assumirá a presidência da Câmara, o terceiro cargo mais importante da República, um personagem de expressão política menor, que deixará Dilma mais dependente de um aliado consideravelmente instável: o PMDB. Cenário nada animador para um governo novo, que se instala em janeiro e depende de base sólida e confiável.
Político ligado a Tarso Genro, do Rio Grande do Sul, Maia, embora tenha caráter cordial e de fácil trato, é ainda um outsider no PT. Sua eleição responde a um interesse político ocasional – artificialismo do qual os próprios petistas haverão de se ressentir em breve.











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