Tudo corria bem nas negociações entre socialistas e a presidente eleita, Dilma Rousseff, até que após um impasse que já durava onze dias o PSB, que entraria para o time de ministros com poderes de aliado turbinado pelas urnas, agora ingressará desgastado na equipe, após negociações que desagradaram a todos, inclusive Dilma.

Processo aliás semelhante ao ocorrido com o PMDB, que também saiu das tratativas politicamente menor do que entrou, e angariou insatisfações que já formam um passivo, antes mesmo do marco zero do governo Dilma.

E o que dizer do PT, que deve sair com 16 pastas no primeiro escalão de governo? Mesmo abocanhando a maior fatia de poder de fato e de direito, e de gerenciar o maior orçamento da Esplanada - R$ 56 bi, segundo estimativas – ainda assim é um reduto de mágoas e lamentações.

As negociações para a montagem da equipe ministerial deram à estreante, Dilma Rousseff, uma amostra dolorosa do que é na prática exercício da política de alianças que viabilizou sua vitória nas urnas. Articulações que resultaram num ministério cujo brilho acabou ofuscado pelo excesso de fisiologismo de aliados que não se constrangem em impor nomes à nova presidente, alçando ilustres desconhecidos à condição de ministros de Estado.

A regra foi seguida por praticamente todos os aliados até aqui, do PT ao PSB – o que por si só mostra que se trata de um padrão de comportamento banalizado.  Assim, governadores de estado, aliados de primeira hora de Dilma e Lula, sem fazer cerimônia, tiraram seus nomes da cartola; bancadas federais impusem orgulhosamente figurantes inexpressivos e até desafetos de Lula e Dilma foram submetidos à escolha presidencial.

E assim o time de ministros vai se completando segundo as velhas regras, que já envelhecem o novo governo.

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