A ameaça de greve da antevéspera de Natal foi só um aviso do tamanho do poder de fogo da categoria dos aeronautas, diante do crescimento do setor nos oito anos do governo Lula. O movimento só não causou um novo apagão aéreo de proporções semelhantes  ao que traumatizou o país a partir de novembro de 2006 por intervenção da Justiça do Trabalho. Mas o recado foi claramente compreendido pela equipe de transição de governo e acendeu as luzes de alerta dos setores estratégicos do time de Dilma Rousseff.

A presidente eleita fez da solução do gargalo no sistema aéreo brasileiro uma de suas principais e mais destacadas promessas de campanha, mas adiou de cara o cumprimento de seus planos. Enquanto os aeronautas gestavam a ameaça de paralisação que deixou os passageiros com os nervos à flor da pele, Dilma descosturava o projeto de criação de uma pasta específica, a de Portos e Aeroportos, para concentrar ações específicas para o setor, inclusive retirando a aviação civil das mãos da Aeronáutica.

“É mais fácil sair um boi voando da Granja do Torto” – foi o comentário de experiente brigadeiro da reserva, ao considerar altamente improvável que os militares aceitassem tais planos. Dito e feito. Depois de várias consultas, e de onze tortuosos dias de negociação com o PSB, que indicaria o titular para a nova pasta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi o último a cruzar a porteira da Granja do Torto antes do anúncio derradeiro: o de que a presidente eleita havia desistido de constituir o novo ministério de Portos e Aeroportos. Consta também que o indicado por Ciro Gomes para o posto, Leônidas Cristino, não tinha qualquer qualificação técnica para a função.

Agora o problema volta a bater às portas do governo, antes mesmo de sua instalação. É típica bomba-relógio, pronta para explodir. Não custa ouvir o experiente Lula, que governou longos oito anos, passou por grandes borrascas, e, a cinco dias de descer a rampa, classificou como pior momento de seus dois mandatos  o acidente da TAM, em que 200 mortes passaram a pesar nas costas do governo.

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