O líder pemedebista Henrique Eduardo Alves (RN), que comanda a bancada do partido na Câmara, está deixando os articuladores políticos de Dilma Rousseff de cabelo em pé. Embora saibam que o deputado apenas vocaliza as insatisfações do grupo, ainda assim, acham que o parlamentar vem personificando os problemas do novo governo com o principal aliado. Alves acaba de propor que o valor do salário mínimo, fixado taxativamente ainda por Lula em R$ 540, seja rediscutido com a equipe econômica, porque o PMDB  “não está convencido” de que deva ser este.

Enquanto o deputado dava a declaração, ao deixar uma reunião no apartamento do vice-presidente Michel Temer, cuja missão era pacificar o partido, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicava para a imprensa que o governo está disposto a vetar qualquer quantia que ultrapasse o valor estipulado. A dissintonia entre aliados não poderia ser maior.

A iniciativa de Alves foi vista como clara ameaça de retaliação por causa da disputa por cargos do segundo escalão de governo, inclusive em pastas onde o PMDB já perdeu o titular, caso da Saúde – o que motivou até um ríspido bate-boca entre o líder e o ministro  Alexandre Padilha.

Foi o mesmo Henrique Alves que patrocinou ou defendeu as indicações mais incômodas do PMDB para o ministério de Dilma: a do deputado Pedro Novais, para o Turismo, e a do senador Garibaldi Alves, seu primo, para a Previdência. Emplacou as duas.

Foi também o líder Alves quem, em novembro, surpreendeu a aliança ao formar um bloco de partidos unindo PMDB, PR, PP, PTB e PSC, e excluindo o PT, em apoio à própria candidatura à presidência da Câmara. Michel Temer, a quem o Alves é ligado, foi cobrado pela iniciativa e teve de dar explicações.

“Nossa coalizão não foi só para ganhar as eleições. Foi pra governar!” – repete, enfático, o deputado, cada dia mais rouco. No Planalto, já estão roucos de ouvir.

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