A nota do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, nesta sexta-feira soou como justificativa para o silêncio da oposição, que já dura dois meses. O próprio dirigente tucano anuncia lá para o fim do mês uma reunião para “programar o trabalho do partido no semestre” – isto é, o PSDB ainda está pensando em como fazer oposição. E completa, informando que “em breve” a legenda divulgará um documento sobre os “pontos fracos” dos oitos anos do governo Lula, que acaba de acabar.

A nota, cujo principal objetivo foi atacar o fisiologismo como método de montagem da equipe de Dilma Rousseff, tornou-se ainda mais frágil diante da atitude mais direta e efetiva, por exemplo, da OAB, que decidiu exigir a devolução dos passaportes especiais dos filhos e do neto de Lula. Ophir Cavalcanti, presidente da Ordem, chega a dar prazo até terça-feira para o gesto voluntário da entrega dos documentos, do contrário ameaça com uma ação civil pública para anulá-los.

Também não se ouviu a voz da oposição no debate sobre o valor do salário mínimo – cuja bandeira foi útil a Serra, durante a campanha eleitoral, quando o tucano prometeu estipular o valor de R$600.

Aécio Neves, o aparente líder natural da oposição, preferiu as delícias das praias de Miami ao chuvoso cenário brasiliense, nestas primeiras semanas do governo Dilma. Os governadores oposicionistas são pragmáticos: tratam de primeiro de pôr ordem na própria casa, no que inclusive podem vir precisar da mão generosa do governo federal.

Por enquanto, apenas os aliados têm se ocupado de dar algum trabalho a Dilma Rousseff, no que vêm sendo bem sucedidos. Assim como também têm embaralhado com eficiência invejável o processo sucessório na Câmara, à revelia da oposição, que, até segunda ordem, continua de férias, de frente para o mar e de costas para os 43 milhões de votos que obteve na última eleição.

Veja mais:


+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7