O presidente da Infraero – Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária -, Murilo Marques Barboza, planeja deixar em breve o cargo. Depois de um ano e meio no comando da empresa responsável pela administração dos 67 aeroportos brasileiros, função considerada uma das mais espinhosas da administração pública federal, Barboza pavimenta o caminho para voltar a trabalhar ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Quem acompanha de perto os passos do presidente da Infraero registra que ele almeja um posto estratégico que lhe garanta status equivalente ao de um oficial militar quatro estrelas.

Homem da confiança de Jobim, por quem nutre admiração incondicional, Barboza foi o responsável pela costura política que levou o ministro a convidar o deputado José Genoíno para trabalhar ao seu lado na Defesa. A transformação do ex-presidente do PT, alvejado durante o escândalo do mensalão, em 2005, em funcionário de Jobim foi negociada no gabinete do presidente da Infraero. Genoino não conseguiu renovar seu mandato na última eleição.

Agora Barboza cuida da própria transferência para o ministério, na intenção de “cair para cima”, isto é, assumir função mais importante e menos incômoda que a atual. Sua saída, no entanto, fragiliza ainda mais a Infraero, que enfrenta pressões políticas e empresariais pela privatização.

A presidente Dilma Rousseff promete para breve uma reformulação de todo o setor aéreo, com a criação de uma secretaria com status de ministério, para levar adiante a mudanças estruturais. Os planos, no entanto, esbarram na resistência da Aeronáutica, que não abre mão do controle estratégico do espaço aéreo brasileiro.

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