Os tucanos tentam na próxima quarta uma jogada de risco: com mais de oito anos de atraso, resgatam a figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que será a estrela do programa político do partido, para passar a limpo a história que andaram escondendo, principalmente nas últimas eleições. A ideia é repisar a tese de que os tucanos são sócios dos bons resultados obtidos pelo Brasil nos últimos anos, porque iniciaram o processo de estabilização da economia.

O problema é que o PSDB, derrotado pela terceira vez consecutiva numa eleição presidencial, está mergulhado  numa luta fratricida que racha o partido e afeta suas principais estrelas. Há pelo menos seis tucanos de primeira linha em rota de confronto, em função da disputa antecipada entre Serra e Aécio pela preferência do partido para 2014.

Os últimos lances desta briga constrangem o próprio presidente da legenda, Sérgio Guerra. O episódio do abaixo assinado de deputados tucanos pela recondução de Guerra à presidência e a raivosa reação de correligionários de Serra expuseram a ferocidade da disputa e a gravidade dos problemas do principal partido da oposição.

A idéia da “refundação” do PSDB está longe de ser sincera: tem o carimbo de quem quer tirar Serra do páreo, para instalar Aécio no posto de “candidato natural”.

Já em minoria, a oposição tucana se apequena ainda mais, minada por brigas e disputas internas, e despende energia que fará falta na tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Dilma. Não é bom começo para quem tem ambições de voltar o quanto antes ao comando do país.

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