A votação do salário mínimo, marcada para esta quarta-feira (16), vem exigindo malabarismos políticos dos dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, para evitar confronto direto com o governo Dilma, ao qual se alia, e ao mesmo tempo não ficar atrás na defesa do interesse do trabalhador. Empurrados pela Força Sindical, que pressiona por R$ 580 – e agora, R$ 560 – os dirigentes da CUT defendem um “aumento real” ou um “aumento maior” para o mínimo, acima do proposto pelo governo, de R$ 545.

“No começo do governo Lula nós também não tivemos aumento do salário mínimo” – contemporiza o presidente da CUT, Arthur Henrique Santos. Nesta terça, o líder sindical se senta diante de todo o plenário da Câmara para representar os trabalhadores na Comissão Geral da Casa. Ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que defenderá a tese do governo, Arthur Henrique terá de caprichar no malabarismo.

No último dia 10, no aniversário do PT, o presidente da CUT foi chamado ao palco para compor a mesa da cúpula do partido, onde figuraram, além de Lula e dona Marisa, os governadores, e os presidentes da Câmara e do próprio partido. Arthur Henrique mal disfarçou o constrangimento quando Lula defendeu a manutenção das regras do reajuste para o salário mínimo. “Não pode todo ano alguém querer ser mais herói que o outro!” - enfatizou.

O ex-presidente também tentou salvar o sindicalista da acusação de atrelamento ao governo: “A CUT não é correia de transmissão”.

Não obstante a Central ter convocado manifestações pró-mínimo para hoje e amanhã, nesta terça-feira (15), no plenário da Câmara, mais que Mantega, é a CUT que enfrentará o julgamento político de seus pares.