Na presença de quase 400 deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teve de ouvir calado, justamente de sindicalistas aliados do Planalto, os mais duros argumentos contra a proposta de salário mínimo do governo, de R$ 545. Participaram ainda da Comissão Geral que tomou o plenário da Câmara nesta terça, por exigência da oposição, representantes dos empresários e dos prefeitos.

O deputado Paulo Pereira da Silva, do PDT, líder da Força Sindical, que defende R$ 15 a mais de aumento para o mínimo (R$ 560), fez as contas para proclamar da tribuna, diante de Mantega: “Não é possível que um governo – que eu fui para a rua defender – não dê um aumento de 50 centavos por dia aos trabalhadores do Brasil.”

Em seguida, a central sindical mais alinhada com o Planalto, a CUT, subiu à tribuna para defender um mínimo de R$ 580. Arthur Henrique dos Santos apelou para a meta número um de Dilma Rousseff, a da erradicação da pobreza: “Um aumento de R$ 50 para o mínimo injeta R$ 30 bilhões de reais na economia e aumenta a arrecadação do governo. País rico é pais sem pobreza!” – bradou, mirando nas galerias lotadas de manifestantes.

Ao todo, seis centrais sindicais foram à tribuna atacar a proposta do governo. O representante da CGTB, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antônio Neto, apelou para a lógica para contestar o argumento de Mantega de que a regra de reajuste do mínimo, que toma por base o crescimento da economia, deva ser seguida a qualquer custo. “Então, se houver ‘crescimento negativo’ do PIB, de menos 5%, menos 4%, como ocorreu em diversos países da Europa na última crise, os trabalhadores que ganham salário mínimo vão ter que devolver dinheiro ao governo?”

Mantega ouviu sem retrucar. Permaneceu duas horas na Câmara e se retirou, alegando que precisava embarcar para Paris, para a reunião do G-20 – o grupo das vinte nações mais ricas do planeta.

O ministro pode não ter virado muitos votos a favor da tese do governo, mas partiu confiante na vitória. Não pela força de seus argumentos, mas pelo tipo de votação que o tema vai enfrentar. Na sessão de hoje, basta maioria simples, isto é, o voto a favor de metade mais um dos presentes em um plenário cheio, para aprovar os R$ 545 para o mínimo. O governo dificilmente perderá esta votação.

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