A quarta-feira (16) foi de completa inversão de papéis no plenário da Câmara, durante os debates sobre o novo valor do salário mínimo. As galerias lotadas de manifestantes arregimentados pela Força Sindical e pela CUT passaram a tarde aplaudindo e ovacionando deputados da oposição e vaiando aqueles que apoiam o governo, quando os parlamentares se pronunciavam da tribuna.

Foi a vez de deputados como Ronaldo Caiado (DEM/GO), um dos mais radicais ruralistas e contumaz adversário do governo, ser calorosamente aplaudido pelos manifestantes e defender um valor maior para o mínimo do que o proposto pelo governo. O democrata insistiu da tribuna que a economia brasileira “vai muito bem” e permite o gasto. O elogio indireto ao governo, partindo de um dos mais duros oposicionistas de Dilma, provocou comentários irônicos entre governistas no plenário.

O sinal de que algo estava “fora da ordem” foi a repetida resposta agressiva das galerias a cada manifestação de aliados do Planalto. O próprio deputado Vicentinho, um ex-sindicalista do ABC, relator do projeto de lei do salário mínimo, foi vaiado por várias vezes durante a leitura de seu relatório, favorável à proposta do governo. “Não façam isso, companheiros! Vocês estão vaiando também a mãe de vocês, o pai aposentado, que podem sair prejudicados” – apelou o deputado, ainda da tribuna.

Já a petista Lucy Choinacki, de Santa Catarina, mal conseguiu concluir seu discurso e quase vai às lágrimas por causa da reação das galerias, que ignoraram os apelos da presidência da Câmara para que não se manifestassem. O deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ) foi ao microfone reclamar de que o Congresso não é “a casa da Mãe Joana”. Foi o suficiente para provocar nova reação: “Democracia! Democracia!” – gritavam os manifestantes, de pé das galerias.

O ex-sindicalista Marco Maia, hoje presidente da Câmara, ameaçou várias vezes evacuar as galerias, mas não ousou usar a segurança da Casa para enfrentar os ex-companheiros. “Esse padrão de comportamento pode implicar que daqui para frente, em outras ocasiões, que as galerias não sejam mais abertas às centrais sindicais” – declarou Maia, da cadeira da Presidência.

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