O ex-presidente da República, Itamar Franco, assumiu na tarde desta quarta-feira, no início da sessão de votação do salário mínimo, o papel de líder da oposição. Tentou anular o efeito do recurso que permitia à proposta do governo ser votada em regime de urgência e para isso enfrentou o presidente do Senado. José Sarney, constrangido, negou-lhe a pretensão. Itamar não deixou passar: “as minorias já foram mais bem tratadas nesta Casa” – reclamou.
Em seguida, logo após o relator Romero Jucá, líder do governo no Senado, ler seu parecer favorável ao projeto do Planalto, Itamar passou a sabatiná-lo. Começou por se irritar com as repetidas menções a Lula: “Até parece que o ex-presidente Lula foi o único presidente do Brasil!”
Em seguida, quis saber como o Executivo imagina que o trabalhador que recebe o mínimo pagará despesas com moradia, transporte, alimentação, e outras, como estabelece a Constituição. Perplexo, Jucá respondeu que a decisão de como gastar o salário mínimo é de cada família.
Itamar persistiu na discussão: “É muito triste ouvir isso do líder da maioria! Perguntaram uma vez a um certo presidente da República: ‘Se vossa excelência ganhasse o salário mínimo, o que faria?’ Sabe o que ele respondeu? Disse que daria um tiro na cabeça!”. E continuou: “Isso é brincadeira! Quem vai dizer vai ser a família? É o senhor, o que vai dizer?” – instigou Itamar. ‘Com todo o respeito, senador Itamar, a lei que vossa excelência fez quando era presidente da República também não previa como o trabalhador gastaria o mínimo”- retorquiu Jucá.
Outros senadores passaram a interferir no debate, fora do microfone, e a partir de então a discussão virou bate-boca. Foi necessária a intervenção do presidente Sarney, que impôs o fim dos apartes informais e fez um apelo direto ao líder do governo: “peço ao senador Jucá que não personalize o debate, como fez há pouco, mencionando o período do senador Itamar na presidência da República.”
Itamar não abriu mão de ficar com a última palavra. Voltou a contestar Jucá e disse que seu discurso mais se parecia com a melodia “de um realejo”.
“É só o começo!” – avisa o braço direito de Itamar Franco, o ex-ministro Henrique Hargreaves, dando mostras de que a oposição no senado vai mudar de estilo e dará trabalho à maioria de Dilma Rousseff.











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