O governo Dilma Rousseff tem angariado elogios dos mais diversos matizes políticos. O último veio de ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem “até agora, Dilma não fez bobagem”. No entanto, a transparência não parece ser a primeira qualidade do novo governo, principalmente no que diz respeito às atividades de trabalho da presidente.
A divulgação da agenda de compromissos da titular do Planalto - um documento cuja importância e credibilidade resistiram às últimas décadas de sucessivos governos, desde a redemocratização - agora é manipulada sem que o critério seja o da necessidade de dar satisfação pública de todas as atividades do chefe da nação.
Há dois meses incompletos que compromissos, como reuniões, encontros políticos, entrevistas e outras atividades da presidente são simplesmente omitidos do conhecimento público sem nenhuma razão de Estado presumível. Os exemplos são cotidianos, e vão desde o recente encontro com o senador petista Paulo Paim - que, apesar de não representar nenhum risco estratégico para o país, foi olimpicamente omitido -, à entrevista concedida à apresentadora de televisão Hebe Camargo. Tudo é tratado com aura de segredo de Estado.
Se o exibicionismo e o excesso de exposição incomodam, a falta de transparência nas atividades do governante representa um retrocesso grave, de obscurantismo inexplicável. Está muito além do estilo reservado e discreto da presidente e periga ser confundida com arrogância ou falta de apreço pela importância da informação para a democracia.











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