Não que se pretenda cobrar coerência ideológica de nossos políticos – longe disso! Seria mesmo demais. Mas misturar democratas e socialistas já está muito além do que se espera da “geléia geral” da política brasileira. A saída de Gilberto Kassab do DEM, noticiada em primeira mão por este blog, ganhou contornos surpreendentes que agora desafiam a ética e o raciocínio.
O prefeito de São Paulo pretendia inicialmente migrar para o PMDB – partido ‘de centro’ cuja flexibilidade e gigantismo permitem abrigar um pouco de quase tudo. A troca atenderia ao projeto pessoal de Kassab de obter legenda para enfrentar o tucano Geraldo Alckmin na disputa pelo governo de São Paulo. Até que se descobriu que a conveniência era altamente inconveniente - isto é, a mudança de partido do prefeito e de seus seguidores poderia representar algo semelhante a um suicídio político coletivo, com a perda de mandato de todos eles.
Aí o jeito vai ser dar uma volta na justiça e na lei. A “mágica” prevê criar um novo partido, uma legenda tão provisória quanto uma barraca de camping, para depois fundi-lo com quem? Com o PSB, o Partido Socialista Brasileiro. Isso mesmo: Kassab e sua turma, que até ontem defendiam os ideais de um partido que não por acaso se chamava Partido da Frente Liberal, agora se preparam para abraçar os ideais socialistas da legenda do neto do falecido Miguel Arraes, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
É bom negócio eleitoral para o PSB, sem dúvida - um partido de forte penetração no Nordeste, que agora teria um nome de peso para disputar o governo do mais poderoso estado do país. Em caso de vitória de Kassab, seria interessante saber que mãos escreverão seu programa de governo e se ele irá para a direita ou para a esquerda ao administrar São Paulo.
O doutor Arraes deve estar passando maus momentos, lá na eternidade.











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