O senador Roberto Requião (PMDB/PR), apesar de ter votado contra a proposta do Planalto para o salário mínimo, declara-se da base de apoio a Dilma e diz que ser aliado não significa manter uma “passividade bovina” perante as posições do governo, na esperança de ter seus pleitos atendidos. O ex-governador do Paraná declara ter “esperança no governo Dilma”, embora discorde da condução da política econômica e da submissão às regras  do capital especulativo, que  qualifica de “vadio”. E critica a oposição, à qual ofereceu “terceirizar-se”, “para fazer um pouco de oposição, porque não tem”.

A seguir, alguns dos melhores momentos da entrevista do senador Requião ao programa Brasília ao Vivo, da RecordNews.

R7 – Que avaliação o senhor faz destes primeiros meses do governo Dilma Rousseff?

Roberto Requião - A presidente Dilma é a continuidade do governo Lula e eu tenho visto reiteradamente na mídia, nas televisões, nos jornalões: “Dilma ataca as dívidas do governo Lula”. Será que o pessoal esqueceu que Dilma era chefe da toda poderosa Casa Civil do governo Lula? Que o governo Lula é o governo da Dilma? Que é uma continuidade desse processo e que essa contraposição da Dilma ao Lula é uma bobagem, uma idiotice política?

A Dilma deu uma parada, um freio, uma ação que era natural que acontecesse depois de um período eleitoral. A Dilma é uma organizadora - ela, mais do que o Lula, está interessada com a administração concreta da República. Então, eu acho que essa parada é necessária. Não vejo nada de diferente nisso. Só me preocupa a condução da política econômica, a submissão, a tolerância com as exigências do capital vadio. Você sabe que a tolerância continuada nós chamamos de submissão.

R7 – Ao votar contra a proposta do salário mínimo, o senhor fez lembrar os tempos de dissidente no PMDB. Como vai se portar perante o governo?

Roberto Requião – Eu não compro, não vendo e nem negocio posições. Sou da base do governo e tenho esperança enorme na Dilma. Mas isso não me faz aderir a todas as posições do Planalto. Vou coincidir em 90%.  O apoio a um governo tem de ser inteligente, propositivo e não de uma passividade bovina.

Fica todo mundo na subserviência, na vassalagem, à espera da liberação de uma emenda. Até me perguntaram se eu não tinha medo de retaliação, de perder cargos. A única pessoa que eu indiquei no governo é inamovível por enquanto – que foi a Dilma.

R7 – Como o senhor avalia a situação da oposição neste momento. O DEM se derretendo, o PSDB em conflito interno...

Roberto Requião - Eu tenho proposto no plenário, brincando jocosamente, que se eles continuarem assim eu vou ter que me terceirizar para a oposição, para fazer um pouco de oposição, porque não tem. É uma bobagem bater na política de direitos humanos, bater nas coisas melhores do governo de centro-esquerda, como é o governo de Dilma. É uma verborragia inútil em cima das melhores coisas do governo e é onde eles deviam fazer a crítica concreta que é na condução da economia.

Não tem oposição. A Dilma não tem oposição no Congresso Nacional.

R7 – Mas o Serra ainda é um líder importante, obteve uma votação expressiva...

Roberto Requião - O que eu vejo, de repente, mesmo por parte da nossa base, dos nossos aliados, PT e PMDB, é uma pancadaria brutal em cima do Serra. Meu Deus, o Serra tem o direito de se expressar! Ele perdeu a eleição. Um sujeito que perde a eleição foi eleito para ser oposição, foi eleito para fazer a fiscalização, a crítica, e de uma forma o Serra está exercendo esse direito e esse dever que ele tem em função do resultado eleitoral.

R7 - Está faltando diálogo?

Roberto Requião - Não está faltando diálogo. Está faltando inteligência crítica! Deixa o Serra falar, porque, mesmo ele tendo perdido a eleição, o Serra tem contribuição a dar. O Serra não é um tolo, ele tem uma visão crítica, uma formação política, presença na política. Vamos ouvir o Serra também. Não podemos negar a possibilidade de, em um determinado momento, sua crítica se transformar numa contribuição para o nosso próprio governo.

Democracia é isso, é a garantia. A democracia procede pela maioria, mas a essência da democracia se define pelo direito das minorias se expressarem e, através da expressão poderem, em determinado momento e circunstâncias, se transformar em maioria também.

(Colaborou: FERNANDA MUYLAERT, da RecordNews)