A operação para blindar o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, está apenas começando. Neste final de semana, o mais poderoso integrante do primeiro escalão foi alvejado por um noticiário que aponta indícios de enriquecimento ilícito. Membros do núcleo duro do governo e do comando do PT saíram em defesa de Palocci, sinalizando que o assunto não encontrará terreno para prosperar. Mas a base aliada vai precisar mostrar união para abortar o desgaste político do “primeiro-ministro” de Dilma Rousseff.
Escalado para fazer a defesa de Palocci em nome do Planalto, Gilberto Carvalho, Secretário Geral da Presidência, destacou que o colega foi “extremamente cuidadoso” e buscou se enquadrar às regras antes de aceitar o cargo: “Ele cumpriu rigorosamente todos os encaminhamentos necessários para uma pessoa que geria uma empresa ou alguma atividade econômica antes de assumir o ministério”. Carvalho soou como um porta-voz: “do ponto de vista do governo, não há nenhum reparo a fazer”, declarou.
O presidente do PT, Rui Falcão, foi direto ao ponto e sustentou que o partido mantém “total confiança” no ministro e deu o caso por encerrado e “suficientemente esclarecido”. A demissão de Palocci em 2006 durante o episódio de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa foi motivada justamente por “quebra de confiança”.
A Comissão de Ética Pública do Governo iniciou a segunda-feira jogando um jato de água fria no assunto. “Não há, no momento, o que apurar” – disse, sem rodeios, o presidente Sepúlveda Pertence, lembrando que não cabe investigar porque motivo alguém chegou rico ao governo, assim como não se apura porque alguém ingressou pobre na equipe. E descartou investigação prévia, deixando a tarefa para “futricas” da imprensa.
A reação de defesa é proporcional à gravidade da denúncia contra Palocci, que, ao longo de seis anos, dedicou-se à recuperação da própria imagem, após o escândalo que o apeou do ministério da Fazenda de Lula. Hoje, reabilitado, é ele quem constrói os principais acordos políticos no Planalto, opina nas nomeações e em quase todas as decisões de governo.
A oposição, em longa abstinência de crises, anuncia que vai explorar o tema ao máximo, o que exigirá eficiência da base governista para proteger Palocci - uma blindagem que pode sair caro para o governo, não pelo poder de fogo da oposição, mas pelo exercício de barganha com aliados.
(Colaborou CLÁUDIA GONÇALVES, da TV Record)











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