A presidente Dilma Rousseff assistiu a um dos três filmetes que compõem o chamado kit-gay. Foi o que bastou para mandar a iniciativa para a gaveta por tempo indeterminado. Dilma viu, não gostou, mandou recolher e determinou que daqui para frente, todo o material que disser respeito a costumes seja submetido ao Planalto. Resumindo, quem manda é Dilma, principalmente se o assunto afeta a poderosa bancada evangélica. Mais do que os nada desprezíveis 74 votos, há o poder de mobilização popular destes deputados – efeito que Dilma amargou durante a campanha, quando disseminou-se a idéia de que ela defendia a legalização do aborto.

Escaldada, a presidente não pestanejou em tomar a decisão de mandar recolher o kit-gay, ainda mais diante da fratura exposta do Planalto, chamada Antônio Palocci. Não há cartilha anti-discrimação que não possa ser repensada diante do risco de CPI contra o principal ministro do governo. O Planalto jura que não houve barganha, nem ameaça da parte dos evangélicos insatisfeitos. Nem era preciso.

A atitude da presidente é um importante sinal político e um banho de água fria no entusiasmo gay, levado às alturas depois da decisão favorável do Supremo que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, com equiparação de direitos aos casais heterossexuais. Dilma sinaliza não só com a neutralidade prometida aos evangélicos durante a campanha, como também dá mostras de que não vai patrocinar as bandeiras do movimento se isso significar confronto com  ala evangélica de sua base aliada.

O bem intencionado – mas profundamente desastrado – ministro da Educação, Fernando Haddad, está virando recordista na produção de fatos negativos e de polêmicas nada convenientes para o governo. Cotado para ser um dos candidatos petistas à prefeitura de São Paulo, o afilhado do ex-presidente Lula carece de tino político para farejar potenciais problemas e evitá-los. O ministro alega incompreensão e preconceito elitista contra suas iniciativas. É provável que não esteja errado, mas Haddad está precisando equilibrar a balança com fatos positivos. A Educação e a presidente agradecem.

(Colaborou: CLÁUDIA GONÇALVES, da TV Record)

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