Foram trinta e um dias sem dar entrevista, até que a presidente Dilma finalmente decidiu abordar publicamente a crise envolvendo o ministro Palocci, alvejado há doze dias por suspeitas de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. A iniciativa de Dilma acontece logo depois da intervenção branca de Lula na crise. O ex-presidente praticamente determinou uma mudança de postura da presidente e de seu principal ministro, e foi prontamente atendido.

Dilma respondeu tarde ao problema, compelida pelo padrinho político e fez declarações que ficaram aquém das de  integrantes do governo sobre o caso Palocci. Faltou dizer o fundamental: o ministro ainda goza da confiança da presidente? Afinal, é disso que se trata. Foi a “quebra de confiança” que motivou a queda de Palocci durante o governo Lula, em março de 2006.

Lula considerou o risco de descontrole da situação e temeu pela estabilidade do governo. Ao conversar com parlamentares, constatou o que já se sabe há muito tempo em Brasília: a articulação política do governo não é feita pelo ministro Luiz Sérgio, e sim por Palocci, que acabou concentrando poder e atribuições demais. Sem conseguir atender a todos e levado a dizer “não” no lugar de Dilma, virou alvo de mágoas e insatisfações.

A intervenção de Lula enfraquece o poder de Dilma e dá asas à oposição. Será fácil alegar que a presidente não é capaz de conduzir crises, não se articula bem nem com a própria base aliada, e precisa de um tutor.

Além do freio de arrumação dado por Lula, o Planalto espera debelar a crise ao conquistar um salvo conduto do Procurador Geral, caso consiga convencê-lo de que são satisfatórias as explicações de Palocci. Mas o episódio terá quebrado o encanto que perdurou nestes cinco meses de governo Dilma.

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