DuarceNogueira 400 “Quem apostar no racha do PSDB vai errar”, diz líder tucano

O líder do PSDB na Câmara tem lado, no partido, e é o de José Serra. O deputado Duarte Nogueira vai defender na convenção do partido que acontece hoje em Brasília que o ex-governador assuma a presidência do Instituto Teotônio Vilela, o órgão formulador das políticas da legenda. O outro candidato para o posto é o ex-senador Tasso Jereissati. No entanto, o líder acredita que o PSDB sairá unido da convenção: “Quem apostar no racha do partido vai errar”.

Nogueira é um dos principais oposicionistas no Congresso e signatário do pedido de CPI mista contra o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci. Ele admite que se o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, considerar satisfatórias as explicações do ministro Palocci sobre seu crescimento patrimonial, o PSDB pode desistir do movimento de criação da CPI. No entanto, reforça que o partido não vai admitir ser “diminuído” no seu papel de oposição.

Defensor do texto recém aprovado para o novo Código Florestal, o líder tucano acredita que a votação significou uma reafirmação da autonomia do poder Legislativo.

O deputado Duarte Nogueira (PSDB/SP) falou ao programa Brasília ao Vivo esta semana. A seguir, alguns trechos da entrevista.

DuarceNogueira 400 2 “Quem apostar no racha do PSDB vai errar”, diz líder tucano

R7 – O PSDB chega rachado para esta convenção de hoje, em Brasília?

Duarte Nogueira - Tenha certeza: quem apostar no racha, vai errar. O PSDB sairá unido da convenção nacional. Todos vão participar e ter o seu espaço, e eu tenho certeza de que o diálogo que está existindo vai nos permitir conciliar esses eventuais conflitos que possam estar saindo na imprensa. Nós não vamos antecipar o processo de 2014 agora. Nós temos uma convenção que vai fazer com que esse diretório eleito trabalhe para o partido, sobretudo para as eleições municipais. E esse diretório será renovado para as eleições presidenciais de 2014.

R7 – Quem o senhor apóia para a presidência do Instituto Teotônio Vilela, Serra ou Tasso Jereissati?

Duarte Nogueira - Eu gostaria que o Serra ficasse na presidência do Instituto Teotônio Vilela. Acho que o José Serra é uma figura importante para o partido, tem serviços prestados para o estado de São Paulo e para o país, como congressista e como ex-ministro, e é alguém que tem uma capacidade de formulação muito grande. Dentro do ITV, se for indicado como seu presidente, vai contribuir para o partido formular propostas, debater idéias, pensar o Brasil de maneira responsável.

R7 – E para secretário-geral?

Duarte Nogueira - Acho que deve ser o Rodrigo de Castro, que é o atual secretário-geral, deputado de Minas da nossa bancada, também tem feito um bom trabalho e eu acho que dentro dessa discussão o Rodrigo de Castro tem demonstrado vontade de permanecer, conta com o nosso apoio e de toda a bancada e do partido.

R7 – Deputado, e o caso Palocci? Se o procurador geral considerar satisfatórias as explicações que ele venha a apresentar sobre seu crescimento patrimonial, os senhores desistem da CPI?

Duarte Nogueira - Nós queremos saber quais foram as fontes que originaram esse crescimento patrimonial vertiginoso. Se as informações prestadas pelo ministro puderem esclarecer que isso se deveu de maneira regular, através de contrato de empresas que não tinham interesse dentro do governo, e portanto não há suspeição sobre tráfico de influência, e ao mesmo tempo de interferências em decisões governamentais para obter dividendos pessoais e para auferir lucros pessoais - nós entenderemos que sim. Mas até agora nenhuma dessas explicações pôde ou veio a acontecer.

R7 – O  ministro Palocci é um nome respeitado pelo mercado e tido como uma espécie de guardião da política econômica. Atacá-lo não é partir para “quanto pior, melhor”?

Duarte Nogueira – Por causa do respeito que nós temos pelo trabalho do ministro Palocci é que não pode pairar nesse momento essa suspeição [sob sua figura]. Há de fato uma dúvida enorme, uma suspeição que coloca inclusive em risco a credibilidade da lisura e ao mesmo tempo dos trabalhos de governo, não só pela pessoa física, mas pelo que representa a instituição do ministério que o próprio ministro, neste momento, dirige.

R7 –  O governo diz que é mera luta política...

Duarte Nogueira - A maneira como o governo se comporta [indica que] ele quer simplesmente descaracterizar o trabalho da oposição e diminuir o nosso papel, e isso nós não vamos permitir. A oposição tem um papel importantíssimo dentro de qualquer democracia, para mostrar o outro lado, fazer um contraponto e ao mesmo tempo oferecer o debate para que as informações e a verdade apareçam e o interesse do país seja colocado em primeiro lugar.

R7 – O senhor apoio o texto do novo Código Florestal, numa votação em que a base aliada se uniu à oposição para derrotar o governo. Acha que esse caso pode se repetir?

Duarte Nogueira - O poder Legislativo tem que ter a sua autonomia. O governo não pode querer vencer todas as votações por achar que porque é governo não pode ser derrotado. Aliás, às vezes precisa ser derrotado pra que esse aspecto de domínio absoluto sobre as questões do Estado não prevaleça, e o contraditório, o debate do parlamento, possa exercer esse equilíbrio principalmente na relação entre Executivo e  Legislativo. Na verdade, o governo não foi derrotado sumariamente. O que houve foi bom senso por parte dos congressistas, no caso da Câmara dos Deputados, em aprovar o aperfeiçoamento do Código Florestal que equilibre a produção agrícola e ao mesmo tempo o bom uso dos recursos naturais.

(Colaborou: FERNANDA MUYLAERT, da RecordNews)