A queda de Antonio Palocci obrigou a presidente Dilma Rousseff a fazer mais uma mudança em sua cozinha. Palocci era, desde o início do governo, o principal articulador político no Congresso. Sua demissão acabou colocando em xeque a capacidade do titular da vaga, o ministro Luiz Sérgio, da articulação política.

Questionado pelo blog se o ministro também teria chances de cair, um integrante do núcleo duro do governo foi específico:

- Por enquanto, ele continua.

Desde que a base governista mostrou sinais de rebelião na Câmara, com as discussões para o Código Florestal, Dilma sentiu que não tinha o Congresso sob controle. A gota d'água veio com a profusão de assinatura para a abertura de uma CPI para investigar a evolução patrimonial de Palocci.

O tema tomou grande parte das reuniões que Dilma travou com seus assessores mais próximos ao longo da terça-feira. A senadora Gleisi Hoffmann se notabilizou por ser uma dura defensora do governo no Senado, mas Dilma quer que ela desempenhe um papel estritamente gerencial. Palocci tinha de se dividir em dois e Dilma não quer mais um ministro curinga.

No Palácio, a rádio-corredor dá como certa que a troca de ministros se dará até a próxima quinta-feira. E Dilma tem corrido contra o tempo para achar um substituto para Luiz Sérgio. Fontes próximas à presidente dão que a ministra Ideli Salvatti, da Pesca, pode ser a solução. Mas tudo depende do aval do PMDB, insatisfeito com a relação com o governo.

Pressionada pelo partido, Dilma marcou um encontro com o vice-presidente Michel Temer para esta quarta-feira (8). Ciente do assunto, Temer vai apresentar o nome do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), líder do partido na Câmara, e por quem Dilma não nutre qualquer simpatia.

Eduardo Alves ainda tem outro problema, de natureza pessoal. Em acordo com o PT, o PMDB definiu que o próximo presidente da Câmara será alguém do partido, e o potiguar é disparado o nome de consenso dos peemedebistas.

por Gustavo Gantois, do R7, em Brasília