De todas as previsões dos adversários dos petistas durante a campanha eleitoral, uma, em particular, parece estar se confirmando. Na época, dizia-se que Dilma não teria a mesma autoridade de Lula sobre o PT, que não conseguiria controlar o partido. E o que  assistimos agora é a presidente tendo de convocar Lula para segurar disputas e divisões dentro da própria legenda.

O foco de dificuldades de Dilma, no momento, se concentra no PT da Câmara. Parte da bancada não engoliu a eleição de Marco Maia para o comando da Casa, e agora há uma polarização entre ele e o líder Cândido Vaccarezza. No meio da briga, estrelas petistas, como Berzoini, Chinaglia, João Paulo Cunha. Todos destronados por razões diferentes de cargos de grande visibilidade política e cada um puxando a corda para um lado.

O ex-presidente Lula deu suas broncas, cobrou união, chamou os petistas aos brios, mas o efeito destas investidas sempre foi provisório, mesmo durante seu governo. Em pouco tempo os petistas voltam a se engalfinhar por espaço, em disputas frequentemente fratricidas e que costumam arrastar o governo para crises de desfecho imprevisível.

A situação na Câmara, ao que parece, só tem um remédio, e, assim mesmo, de eficácia não garantida: a presidente terá de compensar de alguma forma as alas que se sentem derrotada dentro do PT. Marco Maia quer um cargo para Chinaglia, de qualquer maneira. Vaccarezza amarga uma coleção de desgastes como líder do governo – ele, que quase foi ministro, depois, quase foi presidente da Câmara, e quase foi ministro de novo, mas segue no prejuízo.

O problema é que Dilma parece não ser muito dada a consolar derrotados e queixosos. Pelo contrário, para afirmar sua autoridade, a presidente adota procedimento oposto. Quanto mais se reclama de certo comportamento ou decisão sua, mais ela os afirma – um método para lá de heterodoxo no ecossistema político brasiliense.

Para se saber se as recomendações de Lula vão funcionar, basta observar, por exemplo, quantos petistas vão sair em defesa do ministro Mercadante, da Ciência e Tecnologia, agora acusado de ser o chefe dos aloprados, isto é, de ter encomendado o dossiê falso contra José Serra, na eleição de 2006. Por enquanto, nenhum deles se manifestou, a não ser o próprio suspeito.

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