A ministra Ideli Salvatti disse ao que veio. Com fala mansa, cheia de rodeios, acabou com os sonhos dos aliados. Quanto a emendas, repetiu o que já havia advertido: em tempos de cortes no orçamento, será difícil liberar dinheiro. E quando o assunto foram os cargos de primeiro e segundo escalões, Ideli trocou o estilo "paz e amor" pelo "não vem que não tem". Declara que serão feitos "meros ajustes" e não substituições na amplitude que os aliados esperam. Situação que "não poderá ser questionada"- acrescenta.

A presidente Dilma congelou as nomeações para o governo no início da montagem da equipe quanto o líder do PMDB, Henrique Alves, trombou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por causa de nomeações e trocas na pasta. De lá para cá a lista de mais de 50 cargos do PMDB ficou na gaveta. Pouca gente foi atendida, como o presidente Sarney e o líder Jucá.

Agora, a explicação da ministra Ideli é que, como este não é um governo de ruptura e sim de continuidade, o projeto político é o mesmo, portanto, não faz sentido trocar tanta gente. A justificativa omite um detalhe: no primeiro momento da montagem do governo, não foi essa a regra. Os ministros petistas varreram com pemedebistas e outros aliados de suas pastas e ocuparam as vagas com correligionários de sua confiança, quase sempre do PT.

Ideli promete segurar o tranco da insatisfação dos aliados, que certamente virá. Gente que esperou seis meses pelo cumprimento de promessas e que empenhou a palavra junto a afilhados, agora termina de mãos vazias. Não é pouco. Um baque e tanto para quem vive do fisiologismo que Dilma tenta reduzir, mas só do lado dos aliados. A fórmula tem tudo para dar errado, justamente pela assimetria no tratamento. E arrisca envenenar o ambiente político com mais disputa e desconfiança.

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