A primeira entrevista do deputado Mendes Ribeiro (PMDB/RS) depois de escolhido ministro, foi uma pequena catástrofe. Dizer que depois da posse no ministério da Agricultura iria “olhar para frente” e “cuidar dos números”, ironizando o termo “faxina”, pegou muito mal, e tirou da presidente o discurso moralizador que está fazendo tão bem para sua imagem.

Nesta sexta-feira, depois de reunir-se com Dilma, o futuro ministro mudou de tom. Disse rigorosamente o mesmo da véspera, mas com uma embalagem bem mais vistosa. Prometeu que vai “abrir as portas” do ministério da Agricultura para investigações da Controladoria Geral da União e do Ministério Público.  Só que estes dois órgãos não precisam do ministro para fazê-lo. Eles próprios têm a chave da porta. E a autoridade também. Mas a mudança de tom fez toda a diferença.

Faxina – A limpeza no ministério da Agricultura virá, mas não com o nome de “faxina” e nem com os métodos que acabaram levando o PR a romper com a base governista, depois das demissões nos Transportes. A tendência é o novo ministro trocar toda a turma enrolada nas denúncias, mas agora com a desculpa de que está montando  a própria equipe -  coisa que Rossi estava impedido de fazer, sob pena de admitir que alguns de seus auxiliares estavam realmente comprometidos. As trocas na Conab também são dadas como certas, até para salvar a Companhia Nacional de Abastecimento da pressão pela extinção.