A sequência de demissões no ministério, que mergulhou o governo numa espécie de “operação desmonte” involuntária, acabou por ter um efeito colateral positivo: obrigou a presidente Dilma Rousseff a sair em campo para fazer política – e política da grande e da miúda, coisa que nunca lhe agradou.

Dilma parece ter finalmente compreendido que esta é uma tarefa que não se pode delegar completamente a nenhum ministro, sob pena de não obter o resultado esperado, já que falta ao auxiliar a autoridade para decidir, algo que a presidente não transferiu.

Atendendo ao apelo de Lula – outra vez, ele! – a presidente tomou para a si a tarefa política. Foi assim que determinou o resgate do apoio do PR, buscou Michel Temer para ajudá-la a corrigir a relação com o PMDB, consolidou a imagem de governante que combate a corrupção e o fisiologismo, demitiu e nomeou quando achou que era tempo, consumando seis trocas importantes no primeiro escalão em oito meses de governo.

A presidente também começa a aprender a ser flexível,  permeável aos argumentos de seus líderes no Congresso, auxiliares no Planalto  e outros aliados. Um exemplo é o fato de admitir que esticou demais a corda no longo bloqueio das verbas das emendas parlamentares. Acabou incendiando a base aliada no momento em que o governo mais precisava dela. Teria decidido voltar atrás, apesar do cenário de crise externa e das promessas de austeridade.

“Ela aprende rápido!” – conclui o líder governista Cândido Vaccarezza, que comemora o novo movimento da presidente.

 

 

 

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