O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Al-Zeben, encaminhará nos próximos dias ao Itamaraty um agradecimento formal, em nome de seu país, às palavras da presidente Dilma Rousseff em favor da criação do Estado Palestino, durante discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta quarta (21). "A presidente expressou uma posição clara, que não deixa margem de dúvidas sobre o apoio do Brasil à nossa causa", diz o embaixador, que concedeu entrevista exclusiva a este blog.

R7 - Como o senhor recebe as declarações da presidente Dilma sobre Palestina em seu discurso na ONU?

Embaixador Ibrahim Al-Zeben - Foram realmente excelentes. Expressam uma posição clara e não deixam margem para dúvidas sobre a natureza da posição do Brasil, o apoio à nossa causa e a política externa equilibrada do governo Dilma. Estamos seguros de que esta atitude do Brasil vai contribuir para a maior compreensão das nossas demandas e dos nossos direitos no plano internacional.

R7 - O senhor pensa em dar alguma resposta oficial a estas declarações?

Embaixador Ibrahim Al-Zeben - Sim, nos próximos dias devo pedir uma audiência ao Secretário Geral do Itamaraty e irei pessoalmente agradecer a manifestação da presidente Dilma. Ela é um reflexo do espírito solidário do povo brasileiro.

R7 - A presidente chegou a condicionar a paz na região ao atendimento das demandas da Palestina. O senhor concorda?

Embaixador Ibrahim Al-Zeben - Para alcançar a paz é preciso justiça. Efetivamente, a paz de Israel depende da paz na Palestina. Duvidar disso é manter uma atitude caduca, do passado. A presidente Dilma foi muito feliz em dar o Brasil como exemplo, afinal aqui nossos povos convivem em plena harmonia. Essa é uma das provas de que a paz é possível.

R7 - Qual é a sua avaliação sobre as declarações do presidente dos EUA, Barack Obama, que discursou logo após Dilma Rousseff?

Embaixador Ibrahim Al-Zeben - Acho que o presidente Obama não aproveitou a chance de fazer um discurso histórico. Ele foi confuso e indiferente. Abdicou do papel de, como líder político de uma superpotência, ser o mediador de uma questão crucial.

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