A passagem da presidente Dilma pela ONU na última semana já se transformou num divisor de águas no que diz respeito ao tratamento dado à governante por alguns dos mais combativos órgãos de imprensa. Depois da Folha de São Paulo, que publicou editorial elogioso ao desempenho de Dilma no dia seguinte ao seu principal discurso nas Nações Unidas, agora, a revista Veja, conhecida algoz dos governos petistas, tornar pública uma aprovação explícita e inédita à pupila de Lula.

Chama a atenção na última edição da revista o editorial, que traduz a opinião de Veja. Sob o título “A voz do Brasil na ONU”, a revista afirma que “a presidente Dilma Rousseff comportou-se como havia muito um presidente brasileiro não o fazia em semelhante ocasião”. A crítica indireta a Lula surge também em comentários como: “[Dilma] combinou discrição com interesse exemplar em programas culturais, visitando os dois mais célebres museus novaiorquinos”. A revista ainda completa:  “Dilma Rousseff aproveitou a atenção mundial sobre ela para mostrar que lidera um país que almeja alcançar a modernidade e preza os valores da democracia”. Tudo isso, apenas no primeiro parágrafo do texto.

O editorial ainda destaca: a presidente disse ao mundo que seu governo zela pela liberdade de imprensa. Alas do PT discutem a proposição de medidas legais para controlar a mídia em geral – idéia rejeitada pela maioria dos veículos de comunicação.

Na mesma edição, Veja publica um breve registro da passagem da presidente pela ONU, sob o título “Dilma e o fim das pirotecnias”, em que considera “serena e realista” sua avaliação sobre a situação do Brasil perante a crise econômica mundial. E ainda destaca que Dilma evitou a “exorbitância de dar lições ao resto do mundo”.

Os afagos à presidente convivem com reportagem que ataca as iniciativas de Lula e do PT .  Segundo sugere a revista, ambos agem para “salvar o Zé”, isto é, favorecer o deputado cassado José Dirceu utilizando-se da reforma política.

A moderação e a sobriedade de Dilma vêm conseguindo feitos inimagináveis até para os petistas, e a fazem avançar sobre uma parte do eleitorado cativo do PSDB. Se o PT aprender a somar estes trunfos à popularidade de Lula, ao invés de contestá-los, o resultado pode ter potencial eleitoral imbatível.

 

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