“Nós agimos de boa fé” – sustenta o ministro do Esporte, Orlando Silva, ao tentar explicar porque o governo entregou, em dois convênios, mais de três milhões de reais a um administrador de ONG que hoje ele próprio chama de “bandido”, “marginal”, “farsante”, e que ameaça processar e botar na cadeia.

Orlando Silva era Secretário Executivo do então ministro Agnelo Queiroz, e diz que só recebeu o PM João Dias, o homem dos três milhões de reais, porque o ministro determinou. Afinal, ele, Silva, não tem relações em Brasília, não conhece as ONGs que fazem trabalhos sociais. Sabia pouco ou nada sobre Dias, e o recebeu por ordem do então ministro.

O governo acabou firmando dois convênios com o tal “bandido-marginal-farsante”, que entrou pela porta da frente do ministério e, segundo apura da polícia federal, recheou os cofres de suas escolas de Kung Fu e, suspeita-se, os do PCdoB também, com dinheiro público do programa Segundo Tempo. Orlando Silva garante que o pilar da administração pública, a impessoalidade, foi observado, e que a área técnica aprovou o repasse do dinheiro. Fica difícil de acreditar, diante do primeiro capítulo da história.

O ministro se antecipa como pode ao bombardeio que enfrentará por parte da oposição ao governo e à sua própria gestão no Esporte. Dilma, para quem o sucesso na realização Copa do Mundo vai se reverter em importante patrimônio eleitoral, terá de fazer um delicado cálculo político.

Por enquanto, Silva tem prazo para se livrar da grave acusação de receber propina pessoalmente, na garagem do prédio do ministério. Mas se a denúncia colar e fragilizar politicamente o projeto-Copa, a presidente terá de fazer a inevitável escolha racional da troca do ministro. Com toda boa fé, é claro.

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