Uma das decisões mais difíceis do mandato de Dilma até aqui – é assim que está sendo classificado o desfecho do caso Orlando Silva, que testa os limites e critérios da presidente Dilma para manter no cargo ou demitir um auxiliar.

Desde o primeiro dia das denúncias, Dilma repete o mantra da presunção de inocência: nesse governo não se condena sem provas.  Só que, muitas vezes – e esse parece ser o caso - ainda que não se tenha prova ou mesmo convicção da culpa de alguém, pode ter havido a sua completa perda de viabilidade política.

“Esse é um dos dias mais difíceis da minha vida” – disse o ministro Gilberto Carvalho a um interlocutor, ao deixar a reunião no Planalto em que se discutiu o destino de Orlando Silva. A frase traduz a angústia do ministro e da equipe mais próxima a Dilma diante da necessidade de demitir o colega do Esporte, mesmo sem provas contra ele e sem a convicção de sua culpa.

A decisão do Supremo de autorizar a abertura de inquérito contra Orlando Silva praticamente selou o destino do ministro. Torna-se insustentável manter no cargo um titular sob investigação, e, por conseguinte, sob suspeita formal. Ainda mais se este ministro tem a tarefa de representar o governo em negociações internacionais, num posto que estará cada vez mais em evidência daqui para a frente.

“Esse pessoal entregou dinheiro demais na mão das ONGs!” – diz um ex-líder petista, inconformado com o erro, considerado primário, dos gestores do PCdoB à frente do ministério do Esporte.

Ao convocar Renato Rabelo, presidente do PCdoB, ao Planalto nesta terça, Dilma confirma a expectativa de que pedirá ao partido nova indicação para a pasta. Ao fazê-lo, a presidente arrisca dar fôlego à crise, uma vez que a legenda está mergulhada na lama que emergiu do Esporte. Dilma sabe disso, mas prefere não romper com o aliado histórico e ícone da esquerda.

“Não adianta, ela não ouve a gente” – diz outro petista ao entrar no Planalto no início da noite desta terça, referindo-se à presidente. Ele está entre os que discordam da manutenção do feudo comunista no Esporte, ainda que Dilma exija do eventual próximo ministro que troque a equipe por técnicos sem vínculo partidário.

Orlando Silva dificulta a vida do governo e do partido ao insistir em enfrentar as denúncias sentado na cadeira de ministro. Seus colegas demitidos entregaram os pontos muito antes. A esta altura, a sangria pública do ministro já não serve nem a ele próprio.

 

(Colaborou CLÁUDIA GONÇALVES, da TV Record)

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