A quarta-feira já se consagrou o dia nacional da demissão, em Brasília. Não foi diferente no caso do agora ex-ministro Orlando Silva, do Esporte, que estendeu o quanto pôde o próprio martírio no governo, por longos doze dias, mas encontrou o mesmo desfecho da maioria dos demitidos por Dilma. A marca já é um recorde da presidente: seis demitidos em dez meses de governo são números que expõem de maneira eloqüente a falha original na montagem da equipe.
Dilma resistiu, mas não conseguiu barrar um velho vício do Executivo: lotear os cargos entre os partidos aliados do governo e permitir que postos chave da gestão pública se transformem em feudos completamente controlados por eles. O interesse público é imediatamente posto em segundo plano para dar lugar ao projeto de poder daquela legenda, que passa a usar o cargo como mero instrumento para alcançar metas políticas.
A sexta demissão do governo Dilma ainda confirma outra triste suspeita: a de que a esquerda considerada “purista”, o PCdoB, não era tão pura assim. Pode ter simplesmente adotado métodos clássicos de desvio de dinheiro público, simplesmente para se financiar e patrocinar o próprio projeto de poder. É o que vai apurar o Supremo Tribunal Federal, com a ajuda da polícia e do ministério público.
Com o PCdoB de Orlando Silva e do então ministro Agnelo Queiroz, cai o pano, assim como ocorreu com o PT no caso do mensalão. As más práticas políticas se disseminam como se fossem normais, da direita à esquerda. Pior, como se fosse impossível sobreviver no ambiente político sem segui-las. O resultado é o descrédito cada vez maior do cidadão nas instituições e nas pessoas que as comandam.











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