Com a retirada da candidatura da senadora Marta Suplicy (PT) à prefeitura de São Paulo, a batalha eleitoral na principal capital do país estará dividida em dois campos: de um lado Lula e seu ministro, ungido candidato, e, de outro, as demais forças relevantes: o PSDB de Serra, o PSD de Kassab, além do PMDB de Temer.
Depois de resistir durante semanas, após a doença de Lula e o apelo de Dilma, que acentuam ainda mais seu isolamento político, Marta agora diz que “ficou sensibilizada” com o pedido de ambos, e deixa o espaço para Fernando Haddad, o candidato “sem densidade política” – como diagnosticou um adversário.
Marta, a mais experiente das pré-candidatas, também lida com alta rejeição, e Lula não quer pagar este preço. Prefere correr o risco com um nome novo, anódino, insípido e inodoro: o do jovem bonitão, Fernando Haddad, que apesar das agruras do Enem - julga Lula - tem potencial político.
Haddad, de fato, tem o perfil e a biografia que Lula adora: trabalhador obstinado, dócil no trato e de origem modesta, é mais um “self-made-man” na equipe de ministros herdada por Dilma. De formação política de esquerda, o economista ministro da Educação suporta bem qualquer pressão política, não perde o controle nem o jeito de bom-moço, mesmo diante de provocações tidas como verdadeiras afrontas. Educado, é incapaz de destratar jornalistas ou manifestantes, e está longe da imagem de arrogância que colou em Marta.
Estas qualidades pessoais, no entanto, serão testadas à exaustão durante a campanha, e podem não bastar no complexo jogo da política, o qual Haddad pouco praticou. Embora o ministro não seja exatamente “um poste” a ser eleito por Lula, na prática o ex-presidente se prepara para pôr mais uma vez à prova o peso da própria figura numa eleição.











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