O ex-ministro Carlos Lupi recebeu finalmente a bala de grosso calibre que pediu, para deixar a pasta do Trabalho. E, quem diria, acabou caindo por um erro aparentemente – só aparentemente – menor. Acontece que o acúmulo de dois empregos públicos, com a percepção do salário integral, caracterizou ilegalidade facilmente comprovável, ao contrário das demais denúncias, graves, mas sem comprovação.

Agora, Lupi “vai submergir” por um curto período – se conseguir, dado que não é de seu caráter, além do que, um afastamento demorado traz o risco de acentuar sua fase de fragilidade política no PDT, legenda que ele ainda controla. Promete sair de cena por um mês, mantendo-se licenciado da presidência do partido. Mas tem mandato até 2013, isto é, pode voltar à ativa quando quiser.

Por absoluta falta de condições políticas, deixará a negociação da reforma ministerial a cargo de uma comissão de pedetistas. Mas onde estiverem o atual presidente do PDT, André Figueiredo, e Manoel Dias, secretário-geral do partido, Lupi estará representado e opinando indiretamente.

A crise, no entanto, pode levar o racha do PDT a se aprofundar perigosamente. Lupi não pode ser ministro, mas pode ser presidente do partido fundado por Leonel Brizola? Há pedetistas, entre históricos e novatos, que já antevêem candidatos do partido sofrerem ataques de seus adversários por causa dos descaminhos de Lupi, quanto mais se ele estiver investido da função de presidente da legenda.

Se ficar mais difícil fazer campanha ou vencer eleição por causa disso, Lupi pode receber o segundo disparo de igual calibre, e ficar de fora da presidência do PDT.