As três últimas votações do Senado revelam um poder que até o Planalto desconhecia ter na casa que representou uma verdadeira barreira política para Lula. A própria presidente Dilma Rousseff se surpreendeu com os placares das últimas votações, que denotam cerca de 90% de apoio às teses governistas.

Na terça-feira, na votação do Código Florestal, a proposta mais polêmica do ano, as negociações tocadas pelos governistas Jorge Viana e Romero Jucá levaram ao placar de 59 a 7. Só o PSOL recomendou o voto contra. Na quarta-feira, a vitória foi ainda maior. O governo surpreendeu ao aceitar votar a regulamentação da Emenda 29, e conseguiu passar suas teses, com o acachapante resultado de 70 a 1.  Para concluir a semana, a mais importante matéria para o Planalto neste ano, a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União, acabou aprovada nesta quinta por 59 votos a 12.

Para isso, a presidente Dilma se antecipou aos riscos. Voltou mais cedo da Venezuela, liquidou a longa e cara fatura deixada por Lupi, demitindo o ministro no domingo mesmo. Na segunda-feira, reuniu seus generais no Congresso e deu voz de comando: não aceitava "chantagem" da oposição ou traição de aliados com relação à Emenda 29, nem o adiamento da votação da DRU para depois do Natal, considerado perigosíssimo pelo Planalto.

E mais, não teve qualquer prurido institucional: despachou a ministra das Relações Institucionais para o senado.  Ideli Salvatti não fez cerimônia: instalou-se no gabinete do líder do governo, Romero Jucá, e despachou de lá durante os três dias de votação. Às favas com o velho discurso da autonomia do Congresso.

É o trator de Dilma Rousseff arando terreno plano, da ampla maioria, com pouca ou nenhuma dificuldade para passar por cima da raquítica oposição.