O método da persistência e do caciquismo regional confirmou mais uma vez sua eficácia quando se trata da reconquista de espaço político no plano federal. Jáder Barbalho volta ao Senado depois de uma década de quarentena autoimposta, após ser banido da primeira fila da política e despachado diretamente para o porão dos moralmente excluídos.

Logo após o escândalo da Sudam e da briga com ACM, que o levaram à execração nacional, Jáder voltou ao Congresso em 2002 como deputado proporcionalmente mais votado do Brasil – como faz questão de sublinhar – e, outra vez, em 2006, com votação também expressiva. Seu poder no Pará o manteve no jogo. Ainda que em silêncio e longe das câmeras, continuou influente, controlando os votos dos deputados paraenses e sujeitando líderes governistas ao seu poder a cada votação.

Chega agora ao senado eleito com mais de 1,7 milhão de votos e onze meses de briga na Justiça. Menos de duas semanas após o voto de minerva de César Peluso, no Supremo, toma posse em pleno recesso parlamentar, num senado comandado pelo seu partido, o PMDB, mas em solenidade presidida pela petista Marta Suplicy. Um roteiro tortuoso e surpreendente, típico de políticos polêmicos e persistentes, hábeis na arte de exercer o poder.

Jáder Barbalho repete a estratégia bem sucedida de outro personagem ainda mais complicado: Fernando Collor, que voltou à cena federal via senado - depois de sair pela porta dos fundos do Planalto - também graças à manutenção do poder regional e aos votos do povo de Alagoas. Ambos, Jáder e Collor controlam importantes meios de comunicação em seus estados, outra arma fundamental na batalha pelo resgate do espaço perdido.

O paraense chega ao senado falando manso. Diz que será “aprediz”, “soldado raso”, e ficará “no fim da fila”. Sabe que antes dele vem Renan Calheiros, que sonha em reassumir a cadeira de presidente da casa, da qual também foi varrido. É provável que o posto sequer interesse a Jáder Barbalho. Não será surpresa que ele se dedique a partir de agora a uma eventual candidatura ao governo do Pará, como parte de sua lógica privada de manutenção do poder.