A presidente Dilma Rousseff segue mantendo a linha dura com funcionários públicos federais em greve e dá sinais de que não pretende arriscar as metas fiscais do orçamento de 2013 para satisfazer parte importante da base eleitoral do PT. Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que ditará a elaboração do orçamento do ano que vem, o governo pretende economizar 12% mais em 2013. No entanto, a presidente teme o impacto econômico da paralisação em portos do país.

Depois de cortar 12 dias do salário de julho dos grevistas, Dilma baixou decreto nesta quarta autorizando a substituição de funcionários federais faltosos por servidores estaduais ou municipais. O alvo imediato são os grevistas da Anvisa e da Receita Federal.

Para o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia Geral da União, nenhuma das duas medidas foi motivada por retaliação. Garante que, no caso do decreto, o governo apenas age para manter o funcionamento de atividades tidas como essenciais. Já o corte de ponto, segundo o ministro, é “um dever da administração pública, pacificado no STJ, TST e STF”.

Ordem presidencial – A autorização para substituição dos grevistas foi medida determinada pela própria presidente, que se reuniu com cinco ministros na terça e exigiu alternativas. A principal preocupação de Dilma é com o congestionamento nos principais portos do país, motivado pela paralisação da burocracia estatal, principalmente da Anvisa, e pela operação padrão da Receita Federal.

No porto de Suape, no Recife (PE), pelo menos 12 navios aguardam para atracar  sem que a Anvisa providencie o documento necessário, o Certificado de Livre Prática. No porto de Paranaguá, no Paraná, parte dos 120 navios no local estão na mesma situação. Outros 23 são aguardados e devem engrossar a fila. Um dia de espera pode custar US$ 20 mil por navio. Já no porto de Santos, no Rio, a greve afeta 90 embarcações impedidas de atracar.