O ministro relator do julgamento do mensalão Joaquim Barbosa encampou até agora 100% das teses da acusação, representada pelo procurador -geral da República, Roberto Gurgel. Desde a quinta-feira, Barbosa vem condenando e absolvendo réus exatamente como recomendou o Ministério Público. Até mesmo a ordem estabelecida pelo relator para proferir seu voto segue a estrutura da denúncia. Nesta segunda-feira (20), Barbosa condenou os réus do "núcleo operacional" do esquema e absolveu o ex-ministro Luís Gushiken por falta de provas, exatamente como recomendado por Roberto Gurgel.

O procurador que, após leitura do "libelo acusatório", enfrentou dez dias de críticas, ironias, e ataques até pessoais da parte dos advogados dos réus, viu-se vingado pelo voto de Barbosa. O esforço da defesa era por desconstruir a acusação. Na segunda semana de "desmonte", a repetição dos argumentos e teses da defesa fez parecerem frágeis e inaceitáveis certos pilares da acusação, como a sustentação de que os empréstimos que financiaram o mensalão foram fictícios e a de que petistas pagaram por apoio político.

O silêncio disciplinado do procurador foi plenamente compensado: aqueles que o atacaram estão hoje engolindo em seco diante da perspectiva cada vez mais próxima de condenação de seus clientes. Na prática, Joaquim Barbosa reergueu os princípios da acusação, referindo-se a eles nos mesmos termos adotados pelo Ministério Público. Para o procurador Gurgel, o pior já passou. Para os advogados, está apenas começando