Advogados de defesa que atuam no mensalão, entre eles Márcio Thomaz Bastos, admitem que o voto pela condenação tanto do ministro relator, Joaquim Barbosa, quanto do revisor, Ricardo Lewandovski, complica as chances de absolvição dos réus perante o plenário de onze ministros. "Sem dúvida que dificulta" - admite o ex-ministro da Justiça, que defende representante do Banco Rural junto ao STF. Nesta etapa do Julgamento, em que estão sendo julgados 6 dos 37 réus, faltam 9 ministros para votar, sendo que a participação de Cezar Peluso é incerta.

Arnaldo Malheiros Filho, defensor do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, também admite reservadamente que a dupla condenação pelos dois principais analistas da Ação Penal 470 agrava a situação dos réus. "Mas a esperança é a última que morre!" - diz Malheiros, lembrando que há recursos que podem ser apresentados mesmo depois de publicado o acórdão sobre o julgamento - espécie de resumo do caso, que consolida a decisão do Tribunal e passa a servir de referência para situações similares.

Recursos - Diante da expectativa de condenação ampla e iminente, os advogados já avaliam o que fazer. O primeiro dos recursos cabíveis é o "embargo declaratório", que serve para questionar trechos do acórdão que estejam pouco claros. O segundo e mais importante é o "embargo infringente", que pode até provocar um novo julgamento, mas só pode ser utilizado pelo réu que receber quatro votos pela absolvição.

"Atendidas as condições técnicas - os quatro votos pela absolvição - o Supremo nomeia novo relator e há outro julgamento em plenário" - esclarece Alberto Toron, advogado de João Paulo Cunha. A esperança, neste caso, é que, com as aposentadorias de Peluso, em setembro, e Ayres Britto, em novembro, as chances de absolvição aumentem.