Ainda faltam 6 dos sete capítulos em que foi dividido o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, e quatro dos seis réus desta fase já estão condenados pela maioria dos ministros. Apenas um foi absolvido, e por unanimidade: Luiz Gushiken. E esta proporção de condenações deve se repetir nas próximas etapas do julgamento, a se levar em conta as posições assumidas pelos ministros até aqui. Por dever de coerência, terão de mantê-las até o final.

Assim, Fux, Carmem Lúcia, e Barbosa são votos certos pela condenação. Lewandovski e Dias Toffoli tendem à absolvição, principalmente dos políticos, Rosa Weber é incógnita. Gilmar Mendes deve ser pela condenação. Marco Aurélio, pela absolvição parcial, principalmente onde não houver "ato de ofício", ou outra prova clara. Peluso não passará desta etapa do julgamento, já que se aposenta na semana que vem, mas deve condenar. Só aí já são 9 votos mapeados, com boa chance de acerto, ainda que o mesmo não se possa dizer das decisões do ministro presidente, Ayres Britto, e do mais antigo do Tribunal, Celso de Melo.

Embora a condenação de políticos anda não esteja no horizonte, vale lembrar que já não "terminou em pizza". O ambiente entre os advogados de defesa na tarde desta segunda era bem diferente do da última quinta, quando o grupo vibrou com a absolvição de João Paulo Cunha, pelo relator Ricardo Lewandovski. O clima era de preocupação e inconformismo com votos como o do ministro Fux. "Estamos aqui assistindo a um retrocesso" - comentou reservadamente um dos advogados de defesa, preocupado com a jurisprudência que o julgamento formará e que deve ser copiada pelos tribunais.