Ao entrar na segunda das sete fases do julgamento do mensalão, a expectativa do relator e de ministros é que o processo de decisão seja acelerado. Joaquim Barbosa considera que a fase mais longa e complexa foi superada com a conclusão do item 3 da denúncia. As próximas etapas tendem a ser apreciadas com mais agilidade, inclusive a do item 5, iniciado nesta quinta, que trata dos financiadores do mensalão.

O relator ainda não votou, mas já classificou como “cadeia de ilicitudes” a atuação de dirigentes do Banco Rural, que concederam empréstimos milionários às empresas de Marcos Valério e ao PT. Em 2003, foram R$ 3 milhões ao partido e R$ 29 milhões a duas agências do publicitário. Para Barbosa, as operações de empréstimos foram fictícias, porque o modo como as operações foram feitas denota que nem os credores pretendiam resgatar o dinheiro nem os tomadores do empréstimo tinham a intenção de pagar a dívida.

Dos réus desta etapa, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane são acusados de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ayanna Tenório, a quarta ré do grupo, responde pelas mesmas acusações, com exceção de evasão de divisas. A tendência é que sejam julgados em bloco, uma vez que sua atuação é semelhante – o que difere entre eles é o grau de responsabilização.

A característica de ação em grupo, que justifica a acusação de formação de quadrilha, deve levar a sentenças mais rápidas e simplificadas.

A soma das penas máximas dos crimes dos quais os quatro réus são acusados passa dos 30 anos de prisão.