O desfecho da eleição municipal introduz novos elementos no cenário da política nacional, com reflexos para a próxima disputa, que começa a se desenhar agora. O realinhamento das forças políticas será decisivo para mover as peças do xadrez eleitoral de 2014. As eleições também recolocam Lula no centro da cena, como agente com alto poder de influência.

A vitória de Haddad em São Paulo, para cargo que tem peso equivalente ao de um governo de Estado, projeta o petista, de novato e inexperiente, a titular no time de primeira linha dos políticos brasileiros. Mas o cargo de prefeito de São Paulo serve tanto para projetar quanto para fulminar carreiras. Um exemplo do segundo caso é o de Celso Pitta. Os petistas sabem disso e focarão no sucesso de Haddad. Ele é a cara nova de que o PT tanto precisa.

No cenário que eclodiu das urnas também está mantida a polarização entre PT e PSDB, mas com uma diferença fundamental: com Serra enfraquecido e sem condições de pleitear a preferência do partido, os tucanos têm inédita chance de unificar forças internamente e de agregar a oposição em torno de seu candidato natural a enfrentar Dilma: Aécio Neves. Daqui para frente, o senador terá de se dedicar, sem amadorismo ou vacilação, à construção de uma “persona” pública que represente alternativa ao projeto petista.

Mas as últimas eleições também sinalizaram para a ampliação do centro no espectro político brasileiro: Ganharam espaço partidos médios que se colocam nem tanto à direita ou à esquerda – caso do PSB e do PSD. Eles terão papel inédito em 2014. Ambos orbitam a esfera governista, mas representam um apoio incerto, e ambicionam postos hoje dominados pelas grandes legendas, principalmente o PMDB.

A presidente Dilma passa a ter pressa. Mais que nunca, seu governo tem de apresentar resultados que as agruras da economia refreiam. Dilma terá de jogar o jogo que não lhe agrada: misturar gestão com eleição, e provar que o projeto petista de poder deve continuar.

A corrida para 2014 acaba de começar.