O presidente da Câmara, Marco Maia, apesar do tom mais moderado adotado nesta segunda-feira, continua pregando a desobediência a uma decisão judicial de última instância - atitude classificada de "irresponsável" e "inaceitável" pelo ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Há poucos dias de entregar a cadeira de presidente da Câmara, Maia sabe que suas declarações não terão qualquer consequência prática e frisou por várias vezes serem sua "opinião pessoal".

Sem nada mais a perder, e ciente de que não terá poder para interferir na polêmica cassação automática dos mandatos dos três deputados condenados no mensalão - João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry, Maia apenas adota o discurso que lhe rende mais dividendos políticos internamente.

Ao mesmo tempo, transfere a batata quente para seu sucessor, no caso, o pemedebista Henrique Eduardo Alves, que tem a preferência na disputa pelo cargo de presidente da Câmara por acordo de alternância firmado entre PT e PMDB.

Aliás, o próprio Maia chega a lembrar, com certa ironia, que a polêmica sobre a cassaçã deve "pautar" a campanha para a presidência da Câmara, já que envolve, segundo sua ótica, uma suposta "ingerência" do Supremo nas atribuições do Congresso.

O deputado presta, no entanto, um desserviço ao julgar-se acima do Supremo na interpretação do texto constitucional e ao fomentar um conflito entre instituições que pode e deve ser evitado mediante a compreensão da decisão do Tribunal, cuja razão de existir é justamente resguardar a Constituição que os próprios parlamentares criaram.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com