Deputados saem em desesperada corrida para fora do plenário, outros tentam se proteger por detrás da mesa da Presidência, muitos ficam paralisados diante do espetáculo inédito: descendentes dos primeiros brasileiros tomaram o plenário da Câmara para barrar a proposta de transferir para o Congresso a tarefa de decidir sobre demarcação de terras indígenas. Simples assim: barrar, fisicamente.

O presidente da Câmara levou 40 minutos para acreditar no que seus olhos viam: cem índios, pintados para a guerra, com tacapes e bordunas nas mãos, que dançavam e gritavam palavras de ordem no meio do plenário. A quebra de autoridade estava consumada. O precedente, aberto. E um espetáculo de choque de culturas se instalava no coração do Legislativo.

Nada menos chocante do que o que se passa a cada sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara - cenário de agressivos protestos de gays, negros e outras minorias, indignados com a instalação do pastor e deputado  Marco Feliciano na presidência da Comissão.

Também neste caso Henrique Alves tentou mediar o conflito. Foram três tentativas de afastar Feliciano – todas frustradas. E o caso permanece sem solução, com manifestantes barrados nas sessões e até presos pela segurança da Casa, após cada novo embate. Apenas Feliciano lucra, alçado à condição de celebridade às avessas.

Nos dois casos, índios e gays não se sentem representados por aqueles que foram eleitos pelo voto popular. A desconfiança dos indígenas é extrema e antecipada, fundada na ganância e na inconsequência de parlamentares capazes de tudo. Sentimentos parecidos também levam gays a invadir comissões e inviabilizar reuniões, aos gritos.

O povo está perdendo a paciência com um Legislativo que não inspira confiança e que toma decisões que afrontam o bom senso. Não por acaso o lema das minorias e gays é: “Não, não me representa, não!” Nada mais perigoso para a democracia que desconhecer a representatividade dos eleitos pelo povo.

O que restará ao Congresso? Armar-se contra manifestantes? Barrar a entrada? Chamar a polícia militar?

Melhor compreender logo a razão das invasões. Elas são um eloquente sinal de alerta.