Vozes moderadas no governo tentam convencer a presidente Dilma a adiar a decisão sobre atender ao convite da Casa Branca para a visita de Estado a Washington. Após telefonema de Barack Obama nesta segunda, costurado pelo chanceler Figueiredo durante reunião com Susan Rice na semana passada, a ponderação ganha força. O americano - mesmo em dia crítico para os EUA, em que um atirador matou 12 pessoas em uma base naval em Washington - manteve o compromisso do telefonema. A circunstância  foi considerada pela presidente.

Depois do telefonema, Dilma levará a questão a auxiliares próximos, ao comando do partido e aos formuladores da comunicação de governo e da campanha. Teme-se que uma reação tímida demais ou uma bravata presidencial sejam exploradas por adversários em 2014. A resposta política ideal ainda está sendo elaborada. A promessa é anunciar a decisão nesta terça.

 Faltando cerca de 40 dias para a visita de Estado, Dilma ainda terá um encontro com Obama em Nova York na semana que vem, onde poderá manter novo diálogo com o americano sobre o episódio de espionagem de autoridades federais e da Petrobrás. Ciente de que o governo brasileiro não está satisfeito com a resposta da Casa Branca para o episódio, Obama deverá reforçar a importância estratégica do Brasil como interlocutor preferencial na região. "Uma resposta de Dilma "a la Chávez" seria ruim para ambos os países" - diz fonte diplomática.