O governo Temer se considera "no lucro", mesmo tendo feito concessões e reduzido em R$170 bilhões a economia projetada, após as mudanças na emenda da Reforma da Previdência. Modificações em pontos cruciais foram realizadas na tentativa de ampliar apoio para aprovar o texto na comissão e no plenário da Câmara. A mais importante foi anunciada nesta terça e afeta um pilar da reforma, considerado até então intocável: a idade mínima.

Com a redução da idade mínima para acesso ao benefício - de 65 para 62 anos, no caso das mulheres - o governo encerra a etapa preliminar das negociações. Era ceder ou perder - dizem auxiliares diretos do presidente Temer, que admite: a reforma não saneará as contas por 40 anos, mas promove uma mudança estrutural ao instituir a idade mínima.

O governo também tenta se antecipar à oposição declarada pelo ex-aliado Renan Calheiros, na etapa de negociações do Senado. Para impedir que o texto volte à Câmara, caso os senadores alterem a emenda, o relator, deputado Arthur Maia (PPS/BA), apresentou seu texto final aos aliados governistas na Casa, antes mesmo da votação do substitutivo na Comissão Especial da Câmara. A costura prévia é inédita, mas não há garantias de sucesso da estratégia.